Post Convidado: A conta que não sei fazer
Digam à vontade que nossas manias, vaidades, orgulhos e carências são irritantes ou banais: ainda assim existirão. Espalhem por aí somos bobas, dependentes ou patéticas e se contentem em conviver com uma guerra dos sexos infértil. É o caminho mais provável, fácil, incompatível com as necessidades e com os anseios femininos.
Critiquem por não querermos o básico, o tanto faz, o pouco esforço, o descaso, o desleixo. Queremos respostas para as nossas perguntas, conversas francas e sem gritos, honestas e eficientes. Queremos que digam “fique” quando fazemos manha, queremos insistência, prova de vontade de estar junto, só para confirmar o que já sabemos.
Custamos caro no final das contas e talvez um dia entendamos que de fato pedimos demais. Afinal, a conquista agora tem validade: a queremos para sempre, sempre e diariamente. A gente não quer a conta friamente paga no final da noite e troca qualquer jantar por mensagens, bilhetes, carinhos, atenção – tudo o que algumas pessoas só conseguem fazer durante um certo tempo. Fiquem à vontade para espalhar por aí que somos burras, irracionais. Somos mesmo. Erramos na conta, sentimos falta do pouco, da singeleza, do detalhe e insistimos na ilusão de achar que as coisas podem mudar.


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